Últimos dias para inscrição do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela
Encerram-se em 16 de fevereiro as inscrições ao Prêmio Eduardo Peñuela de Teses e Dissertações 2025. O Prêmio celebra a excelência da produção científica em nossa área do conhecimento, bem como o esforço dos pesquisadores, seus orientadores e orientadoras, e toda a equipe que compõe os Programas de Pós-Graduação para que o nosso campo seja valorizado, incentivado e fomentado. Lembramos que, conforme seu regulamento, as inscrições para o Prêmio Compós correspondem a trabalhos defendidos no ano de 2024 no âmbito dos programas associados à Compós e em situação regular. Cada PPG deve proceder, de acordo com seus próprios critérios, à escolha dos trabalhos (uma tese e uma dissertação) que o representarão. Acesse o regulamento.
PROCESSO ELEITORAL ELEIÇÕES COMPÓS 2025-2027
A Comissão Eleitoral, constituída e aprovada em reunião ordinária realizada no dia 11 de dezembro de 2024, informa que, em conformidade com o Regimento Eleitoral da Associação dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (COMPÓS), tem início o processo eleitoral para a nova Diretoria da COMPÓS. As inscrições de chapas estarão abertas para os seguintes cargos: Presidência, Vice-Presidência, Secretaria Geral, Tesouraria e Diretoria Científica. O Calendário Geral, aprovado por deliberação do Conselho da COMPÓS, estabelece a abertura do processo eleitoral no dia 10 de fevereiro de 2025. As demais datas e etapas estão descritas a seguir. COMPOSIÇÃO DA COMISSÃO ELEITORAL Profa. Dra. Soraya Barreto Januário (UFPE) – Presidente da Comissão EleitoralPrograma de Pós-Graduação em Comunicação – Universidade Federal de Pernambuco(PPGCom/UFPE) Profa. Dra. Mônica Cristine Fort (UTP) – Membro da ComissãoPrograma de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens – Universidade Tuiuti doParaná (PPGCom/UTP) Profa. Dra. Mirna Tonus (UFU) – Membro da ComissãoPrograma de Pós-Graduação em Tecnologias, Comunicação e Educação (PPGCE/UFU) Suplente: Prof. Dr. Diego Gouveia Moreira (UFPE) – Membro da ComissãoPrograma de Pós-Graduação em Comunicação e Inovação Social – UFPE CALENDÁRIO ELEITORAL I. Período para inscrição de chapas: De 10 de fevereiro a 11 de abril de 2025. II. Procedimento para inscrição de chapas:O material deve ser enviado por correio eletrônico para os membros da Comissão Eleitoral, utilizando os e-mails a seguir: Soraya Barreto Januário – soraya.barreto@ufpe.brMônica Cristine Fort – monicacfort@gmail.comMirna Tonus – mirnatonus@ufu.brDiego Gouveia Moreira – diego.moreira@ufpe.br III. Divulgação dos resultados das inscrições: Na semana seguinte ao encerramento do período de inscrição, a Presidente da Comissão Eleitoral encaminhará um informe ao Conselho Geral e à lista da COMPÓS, divulgando os resultados. IV. Solicitações de impugnação: As solicitações fundamentadas de impugnação deverão ser enviadas ao Presidente da Comissão Eleitoral até 10 dias corridos após a divulgação dos resultados das inscrições. Após esse prazo, as solicitações serão analisadas pelo Conselho Geral, que emitirá seu parecer. A Comissão Eleitoral divulgará o resultado da consulta, que terá validade mediante maioria absoluta de votos. V. Homologação das chapas inscritas: A homologação ocorrerá no dia 18 de abril de 2025. VI. Divulgação das chapas homologadas: Na semana seguinte à homologação, a Diretoria da COMPÓS, que receberá cópia do material enviado pelo Presidente da Comissão Eleitoral, dará conhecimento ao Conselho Geral e à lista da COMPÓS. VII. Divulgação pública das propostas: As chapas poderão expor publicamente suas propostas e defender seus planos de ação apenas após a homologação oficial pela Diretoria da COMPÓS. VIII. Apresentação formal das chapas: As chapas apresentarão suas propostas na Reunião Ordinária do Conselho Geral da COMPÓS, em maio de 2025. IX. Apresentação geral das candidaturas: Após a apresentação formal ao Conselho, as candidaturas serão divulgadas na Lista Geral da COMPÓS. X. Data da eleição: A eleição será realizada no dia 13 de junho de 2025.
ABERTA A PRÉ-INSCRIÇÃO E CHAMADA DE TRABALHOS PARA O 34º. ENCONTRO ANUAL DA COMPÓS
34º. Encontro Anual da Compós – Diversidade de Vozes e Políticas Afirmativas na Comunicação Em 2025, o Encontro Anual da Compós terá como tema “Diversidade de Vozes e Políticas Afirmativas na Comunicação” e abordará, especialmente, a diversidade racial. Entendemos que a discussão para o fortalecimento das políticas de ações afirmativas na área é imprescindível. Em 2025 também teremos outro diferencial, com a seleção de 12 trabalhos em cada um dos 24 Gts, conforme aprovado pelo Conselho Geral da Compós em setembro de 2024. A partir do dia 18 de novembro, o sistema do evento já estará aberto ao envio de trabalhos. O link para realizar a submissão é: https://app.ciente.studio/compos2025 . Lembramos que é necessário realizar antes a pré-inscrição no sistema para submissão de trabalhos ao evento. CHAMADA DE TRABALHOS COMPÓS 2025 O 34° Encontro Anual da COMPÓS ocorrerá de 10 a 13 de junho de 2025, de forma presencial, na Universidade Federal do Paraná (UFPR) em Curitiba, PR. Para o Encontro Anual de 2025, os 24 GTs da Compós receberão trabalhos de 18 de novembro de 2024 a 18 de fevereiro de 2025 (prorrogado para dia 24 de fevereiro de 2025). Para submeter trabalhos, os autores/as deverão observar as ementas dos GTs disponíveis na página da Compós – https://compos.org.br/nossos-gts/ – e utilizar o template. Todas as informações adicionais estarão disponíveis no site oficial do que será lançado nos próximos dias e no site da Compós: https://compos.org.br/ CRONOGRAMA Envio de trabalhos para os GTs: de 18/11/2024 a 24/02/2025. Os pareceres serão realizados entre: 26/02/2025 e 26/03/2025. Coordenadores dos GTs terão até o dia 28/03/2025 para confirmar os aceites no sistema. A lista de trabalhos aprovados será divulgada no site da Compós e no site do evento até 02/04/2025. A programação dos GTs (com os respectivos relatores dos artigos) deverá ser enviada para a vice-presidência e para os participantes do GT por cada coordenador(a) até 28/04/2025. Os (as) relatores(as) dos artigos devem enviar os respectivos relatos para o/a coordenador(a) do GT até 16/05/2024. O/A coordenador(a) posteriormente enviará aos participantes os relatos de acordo com as normas de cada GT. Regras Gerais de Submissão: Lembramos que o link para submissão dos trabalhos é: https://app.ciente.studio/compos2025
Carta à Capes sobre as recentes Portarias nº 282, nº 291 e nº 307
A recente publicação da Portaria nº 282, que “institui e regulamenta o Programa Institucional de Pós-Doutorado – PIPD”; da Portaria nº 291, que “dispõe sobre o Programa de Graduação Integrada à Pós-Graduação stricto sensu (GradPG)”; e da Portaria nº 307, que “dispõe sobre os critérios para distribuição de bolsas no âmbito do Programa Institucional de Pós-Doutorado – PIPD, referente ao período de outubro de 2024 a setembro de 2027”, assinadas pela Presidência da Capes, tem causado grande incômodo e preocupação entre as associações científicas das diferentes áreas que integram o Fórum de Ciências Humanas, Socais, Sociais Aplicadas, Linguística, Letras e Artes (FCHSSALLA). A Compós, ao lado de inúmeras instituições, entende que ao privilegiar os Programas de Pós-Graduação (PPGs) avaliados com notas 6 e 7 e alguns com nota 5, os programas GradPG e PIPD da Capes deixam de fora a grande maioria dos PPGs das áreas que integram o FCHSSALLA, algo que está diametralmente na contramão de um dos princípios norteadores de toda a discussão presente na elaboração do novo Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG – 2024-2028), notadamente, no que diz respeito às diretrizes, objetivos e estratégias que visam à mitigação das assimetrias, à melhoria dos processos avaliativos, às políticas de inclusão, à internacionalização, dentre outras.
COMPÓS anuncia os contemplados com o Prêmio COMPÓS de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela 2024
Está concluído o processo de avaliação do prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela de 2024. Foram 46 dissertações de mestrado e 27 teses de doutorado reconhecidas como as melhores de seus programas para concorrerem ao prêmio que representa a excelência da produção científica na área da Comunicação. Os trabalhos contemplados com o prêmio foram: MELHOR TESE“Somos autistas”: uma cartografia afetiva de enunciados de neurodivergentes no InstagramAutoria: Igor Lucas RiesOrientação: Angie Gomes BiondiPPG: UTP MENÇÃO HONROSARecepção de campanhas de prevenção ao suicídio entre jovens universitáriosAutoria: Rômulo Oliveira TondoOrientação: Elisa Reinhardt PiedrasPPG: UFRGSCoorientação: Pedro MagalhãesPPG: Psiquiatria UFRGS MELHOR DISSERTAÇÃOExperiência estética em ambiente de partilhas: interações de ouvintes e podcasters do AFETOS e Não InviabilizeAutoria: Daniela Borges de OliveiraOrientação: Laan Mendes de BarrosPPG: Unesp MENÇÃO HONROSACiência na televisão durante a pandemia de covid-19: análise da cobertura sobre as vacinas em Fantástico e Domingo EspetacularAutoria: Maíra Margarida Troina Menezes GondimOrientação: Janine Miranda CardosoPPG: Fiocruz Parabenizamos os autores e autoras premiados bem como seus orientadores e orientadoras e respectivos Programas de Pós-Graduação. O prêmio será entregue durante a cerimônia de abertura do 33º. Encontro Anual da Compós, a ser realizado entre os dias 23 e 26 de julho, na UFF, em Niterói/RJ. Agradecemos a valiosa colaboração das comissões julgadoras, compostas por Ana Claudia Mei Alves de Oliveira, Fernanda Elouise Budag, Geane Alzamora, Isaaf Karhawi, Márcio Telles, Mario Luiz Fernandes, Paulo Bernardo Vaz, Rodrigo Carreiro, Sheila Schvarzman e Soraya Barreto Januário (dissertações); Ariane Holzbach, Christina Ferraz Musse, Cristiane Freitas, Daniel Rodrigo Meirinho de Souza, Flávia de Almeida Moura, João Freire Filho, Kátia Lerner, Márcia Tondato, Maria Helena Weber, Patrícia Rebello e Raquel Ritter Longhi (teses). Danilo RothbergCoordenação Executiva da Comissão do Prêmio COMPÓS de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela – 2024Diretoria Científica – COMPÓS
Anúncio dos finalistas do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela – 2024
Está concluída a primeira etapa de avaliação do prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela de 2024. Foram 46 dissertações de mestrado e 27 teses de doutorado reconhecidas como as melhores de seus programas para concorrerem ao prêmio que representa a excelência da produção científica na área da Comunicação. Após a primeira etapa de avaliações, a Compós tem a alegria de divulgar os cinco trabalhos finalistas em cada modalidade. Os trabalhos estão descritos abaixo, em ordem alfabética de títulos. TESE “Além de preto, viado”: linguagens e produções de sentidos protagonizadas por bichas pretas no cotidiano midiatizadoAutoria: Diego de Souza CottaOrientação: Renata de Rezende RibeiroPPG: UFF – Mídia e Cotidiano Comunicação popular e insurgente da Boa Esperança: circularidade entre território, memória e histórias de vida em “Lagoas do Norte Pra Quem?”Autoria: Sarah Fontenelle SantosOrientação: Maria Ângela PavanPPG: UFRN Etnomultimídia indígena: configurações de vozes de uma demarcação etnomulticomunicacional cidadã e descolonizadora no BrasilAutoria: Raquel Gomes CarneiroOrientação: Alberto Efendy MaldonadoPPG: Unisinos Recepção de campanhas de prevenção ao suicídio entre jovens universitáriosAutoria: Rômulo Oliveira TondoOrientação: Elisa Reinhardt PiedrasPPG: UFRGSCoorientação: Pedro MagalhãesPPG: Psiquiatria UFRGS “Somos autistas”: uma cartografia afetiva de enunciados de neurodivergentes no InstagramAutoria: Igor Lucas RiesOrientação: Angie Gomes BiondiPPG: UTP DISSERTAÇÃO Autonomia disciplinada: o fracasso de uma experiência de cooperativismo de plataformasAutoria: Walmir Roberto Estima do Rego BarrosOrientação: André Luiz Martins LemosPPG: UFBA Bolsonarismo como revolta infamiliar: a estética do estranhamento em memes no TwitterAutoria: Rafael Santos BurgoOrientação: José Luiz Aidar PradoPPG: PUC SP Ciência na televisão durante a pandemia de covid-19: análise da cobertura sobre as vacinas em Fantástico e Domingo EspetacularAutoria: Maíra Margarida Troina Menezes GondimOrientação: Janine Miranda CardosoPPG: Fiocruz Convergências e divergências nos discursos da extrema-direita: um estudo comparativo entre perfis do TwitterAutoria: Maíra OrsoOrientação: Michele Goulart MassuchinPPG: UFPR Experiência estética em ambiente de partilhas: interações de ouvintes e podcasters do AFETOS e Não InviabilizeAutoria: Daniela Borges de OliveiraOrientação: Laan Mendes de BarrosPPG: Unesp Parabenizamos os trabalhos e respectivos autores e autoras selecionados para a segunda fase. O anúncio dos trabalhos premiados deverá ocorrer até 15 de junho de 2024. O prêmio será entregue durante o 33º. Encontro Anual da Compós, a ser realizado entre os dias 23 e 26 de julho, na UFF, em Niterói/RJ.
Lista dos trabalhos aprovados – 33º Encontro Anual da Compós (2024)
Comunicação da Ciência e Políticas Científicas O NEGACIONISMO PRÉ-COVID: uma análise da narrativa jornalística científica de 2016 a 2019Adriano Cansanção (UFPE) “RATANABÁ” NO YOUTUBE: desinformação, algoritmo e economia da atenção nas recomendações de vídeo Ana Leitão (UFF) NEGACIONISMO CLIMÁTICO NO YOUTUBE: como argumentos de falsos especialistas repercutem nos comentários da audiênciaCarlos Eduardo Barros Pinto (UFRJ), Daphne Silva (UFAL), Marina Loureiro Santos (UFRJ), Priscila Muniz de Medeiros (UFAL), Débora Gomes Salles (UFRJ), Rose Marie Santini (UFRJ) A CIÊNCIA E O ETHOS INFORMACIONAL: Tecnologias, colonialidade e soberania digitalJosé Cláudio Siqueira Castanheira (UFF) A DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA EM SAÚDE NO BRASIL: um atravessamento midiatizado entre plataformas de redes sociais e jornaisThalita Mascarelo da Silva (Fiocruz); Victor Israel Gentilli (UFES) DE CIENTISTAS VISÍVEIS A INFLUENCIADORES DA CIÊNCIA: revisitando conceitos à luz da influência digitalVerônica Soares da Costa (PUC-MG) INTERATIVIDADE, CONFIABILIDADE E ENGAJAMENTO: revisando estudos sobre comunicação pública da ciência em redes sociais onlineMaria Ataide Malcher (UFPA); Suelen Miyuki Alves Guedes (UFPA); Weverton Raiol (UFPA); Eliane Maria Araujo da Silva (UFRPE) INVESTIMENTO EM PESQUISA, CIRCULAÇÃO INTERNACIONAL E POLÍTICAS DE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL: Um estudo da área de Comunicação no BrasilLuiz Otávio Prendin Costa (UFPR); Francisco Paulo Jamil Almeida Marques (UFPR); Andressa Butture Kniess (UFPR) NARRATIVAS DESINFORMATIVAS: O discurso antivacina no TelegramRaquel Recuero (UFPel, UFRGS); Taiane Volcan (UFPel) “EU SOU UM PROGRAMA DE COMPUTADOR”: tensões entre imaginários, materialidades e impactos ambientais em uma entrevista com o ChatGPTSimone Evangelista (UERJ); Renato Guimarães Furtado (UERJ) Comunicação e Cidadania CIDADANIA E MINERAÇÃO DE DADOS: produção de conhecimento pelas favelas do Rio de JaneiroPaulo César Castro; Raquel Paiva (UFRJ) MACHO, MACHO MAN… I’VE GOT TO BE A MACHO!: discurso de ódio bolsonarista contra a população LGBTQIAPN+Janaine Aires (UFRN); Rosangela Fernandes (UFRJ); Suzy dos Santos (UFRJ) MÍDIA NEGRA E DEMANDAS DA SOCIEDADE: uma análise da consulta pública sobre o Plano Nacional de Comunicação AntirracistaAlexandre Barbalho (UECE) O QUE DEFINE O ‘ALTERNATIVO DO JORNALISMO ALTERNATIVO: um estudo de caso sobre a pandemia em PortugalCátia Guimarães (Fiocruz) PARTICIPAÇÃO CIDADÃ NAS REDES SOCIAIS: a crise do lixo em GoiâniaFabrício Soveral; Tiago Mainieri (UFG) POR UM GIRO DECOLONIAL NOS ESTUDOS DE MÍDIA E DEFICIÊNCIAFelipe Collar Berni; Alberto Efendy Maldonado (Unisinos) PRÁTICAS DE COMUNICAÇÃO ANTICOLONAIS PARA ELABORAÇÃO DE UM JORNALISMO DESDE AS MEMÓRIAS E HISTÓRIAS DE VIDASarah Fontenelle Santos (UFMA) PUBLICIDADE SOCIAL NA EDUCAÇÃO EM SAÚDE DO BRASIL: uma proposta de divulgação colaborativa do Ambiente Virtual de Aprendizagem do SUS (AVASUS)Patrícia Gonçalves Saldanha (UFF); Mauricio da Silva Oliveira Junior (UFRN); Kaline Sampaio de Araújo (UFRN) TECNOPOLÍTICA E AUTONOMIA MIGRANTE: perspectivas de análise de práticas ativistasLiliane Dutra Brignol (UFSM) VIVÊNCIAS INTERCULTURAIS NA PRODUÇÃO AUDIOVISUAL COM ESTUDANTES INDÍGENASMônica Panis Kaseker (UEL)Comunicação e Cultura MUTAÇÕES DISCURSIVAS DA APOROFOBIA: A perseguição ao padre Júlio LancellottiÁlvaro Nunes Laranjeira (PUC/RS); Juremir Machado da Silva (PUC/RS) CLAUDIA ANDUJAR, O PROTESTO COMO FORMA DE AMOR, E A A ARTE COMO MÍDIA DO PROTESTO: um diálogo com bell hooks, Harry Pross, Hans Belting e Aby WarburgFabio Cypriano (PUC/SP); Norval Baitello Junior (PUC/SP) JOGANDO COMO UMA GAROTA: uma etnografia virtual sobre mulheres gamers em meio a plataformização da cultura digitalJosé Messias (UFMA); Catherine Moura (UFMA) AS MARCAS DA TENSÃO SOCIOPOLÍTICA NO CINEMA BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO: público e privado, crises e violênciasGuilherme Fumeo Almeida (UFF); Miriam de Souza Rossini (UFRGS) BIOGRAFANDO VIDAS EMPRESARIAIS (OU COMO FORJAR UMA CULTURA EMPREENDEDORA)Marcelo dos Santos Marcelino (UFRJ) AS VOLTAS QUE O TEMPO (NÃO) DÁ: consciência humana, dataficação e enlaces temporais na primeira temporada da série WestwordDenise Tavares (UFF); Guilherme Reis (UFF) FRAGMENTOS DE UMA CIDADE ESQUECIDA: o filme “Remoção” e seu repertório de testemunhosGabriel Chavarry Sousa Neiva (PUC/RJ); Creso Soares Júnior (PUC/RJ) DO ORUM AO AYÊ: a contribuição dos quadrinhos brasileiros de super-heróis para narrativas divergentesAdemilton Gomes da Silva Júnior (UFES); Fábio Gomes Gouveia (UFES) ESSE RIO É MINHA VIDA: O barco como forma comunicativa e cultural na Amazônia paraenseGiovane Silva da Silva (UFPA); Alda Cristina Silva da Costa (UFPA) HORA DO XIBÉ: contranarrativas ameríndias ou histórias que sustentam o encantamento do mundoTatiana Castro Mota (UnB) Comunicação e Experiência Estética ARTESANIAS DA ESCUTA DA COMUNICAÇÃO: performance, experiência, fabulaçãoThiago Soares (UFPE); Jorge Cardoso Filho (UFBA/UFRB) CONTRA A UTOPIA DO VISÍVEL: políticas e estéticas da noite no cinema de Ana VazAndré Correa da Silva de Araujo (UFRGS); Bruno Bueno Pinto Leites (UFRGS) ENSAIO PARA UMA COSMOPOÉTICA CABOCLA Tenille Queiroz Bezerra (UFBA) ESTÉTICAS DO COSMOS VIVOCésar Geraldo Guimarães (UFMG); Pedro Cardoso Aspahan (UFMG) FOTOGRAFIAS SITIADAS E A POÉTICA DA RESISTÊNCIA CHILENA Marcela Chaves do Valle (UFRJ) O HABITAR COMO GESTO RELACIONAL: a experiência afrodiaspórica brasileira em “República” de Grace PassôFernando Resende (UFF); Daniel de Moura Pinto (UFF) AS MEMÓRIAS DE UM SMALLTOWN BOY E O ELOGIO DO COSMOPOLITISMO DO POBRE Dieison Marconi (UFRJ) AS MÃOS ACIDENTAIS COMO EXPERIÊNCIA ESTÉTICA: o paradoxo do realismo na imagem técnicaTaís Marques Monteiro (UFPE); Eduardo Duarte (UFPE) PARA DESEJAR O IMPOSSÍVEL: Diários Queer de Lúcio Cardoso e Roland BarthesDenilson Lopes (UFRJ) QUANDO O INVISÍVEL FAZ VIBRAR AS IMAGENS: práticas audiovisuais enquanto processos pedagógicosLeonardo Mont’Alverne Câmara (UFC); Sylvia Beatriz Bezerra Furtado (UFC) Comunicação e Política “YOUTUBERS DO MUNDO, UNI-VOS”: comparação exploratória entre criadores brasileiros e o BreadTube Richard Romancini (USP); Lucas Zambom (UFMG); Nilo Sanchez (USP) DEMANDAS DE GRUPOS EXTREMISTAS: uma proposta metodológica para análise de conteúdo assistida de reivindicações radicais e antidemocráticas em plataformas digitaisBruna de Oliveira (UFMG); Rousiley Maia (UFMG); Tariq Choucair (Queensland University of Technology) A POLÍTICA DA RADICALIZAÇÃO: a direita radical e as mídias digitais nas eleições para a Câmara Federal em 2022Arthur Ituassu (PUC/RJ); Letícia Capone (PUC/RJ); Caroline Pecoraro (PUC/RJ); Vivian Mannheimer (PUC/RJ) TRAJETÓRIAS INTERROMPIDAS, INSULTOS DISSIMULADOS: a violência política de gênero em plataformas digitaisLetícia Sabbatini (UFF); Viktor Chagas (UFF) JORNALISMO MAINSTREAM E POPULISMO DE EXTREMA DIREITA: uma análise da cobertura jornalística das eleições presidenciais do Brasil (2018) e da Argentina (2023)Liziane Guazina (UnB/INCT-DSI); Bruno Araujo (UFMT/INCT-DSI); Ebida Santos (INCT-DSI); Erica Anita Baptista (INCT-DSI) NOVA ROUPAGEM DA CENSURA: deslocamentos e permanências de um legado autoritário Marina Mesquita Camisasca (PUC/MG); Fernanda Nalon Sanglard (PUC/MG); Maiara Garcia Orlandini (UFMG) DESINFORMAÇÃO E O PERFIL DEMOGRÁFICO, POLÍTICO E MIDIÁTICO DOS DESMENTIDOS NO BRASILLuciana Fernandes Veiga (FGV); Eurico Oliveira Matos Neto (FGV); Denisson da Silva Santos (FGV); Victor Rabello Piaia
Jeyciane Elizabeth Sá Santos, menção honrosa do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela de 2023
Em nossa última entrevista, a Compós conversou com Jeyciane Elizabeth Sá Santos, mestra pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação/ Mestrado Profissional da Universidade Federal do Maranhão (PPGCOMPRO/UFMA), e graduada em Comunicação Social – Jornalismo pela mesma universidade. Jeyciane possui interesse em temáticas que envolvem comunicação, movimentos sociais, trabalho escravo e direitos humanos. Participa da Pós-Graduação em Metodologias para o Ensino da Educação Profissional e Tecnológica (IESF) e da Formação Pedagógica em Letras (UniFaveni). Ela trabalha com a produção de documentários e é pesquisadora desde 2016, momento em que iniciou as vivências como integrante nos estudos sobre Representações do Trabalho Escravo a partir da Mídia. Sua história acadêmica é premiada: em 2017, obteve o 1º lugar no Seminário de Iniciação Científica (SEMIC/UFMA) com sua monografia sobre trabalho escravo e comunicação. E em 2023, recebeu a menção honrosa do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela com a dissertação “Proposta de plataforma digital para o enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo no Maranhão”. Jeyciane foi orientada pela Prof.ª Dr.ª Flávia Moura. Compós: Eu não posso deixar de perguntar a você o que significou para a sua carreira, tanto no âmbito acadêmico, como profissional, receber a menção honrosa do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela 2023? Jeyciane: Receber a menção honrosa do Prêmio Compós foi uma honra incrível. Significou reconhecimento pela dedicação ao meu trabalho, além de me ajudar a entender que fazer o que faço é o que move minha vida. O resultado dessas experiências me levam a querer continuar atuando como jornalista apaixonada pela pesquisa acadêmica, com olhar direcionado ao meu grande sonho que é produzir documentários. Compós: A sua pesquisa é super importante e trata de um tema muito sério em nosso país, que é o trabalho escravo. Ainda hoje somos impactados com notícias sobre pessoas que foram resgatadas, empresas que foram descobertas com pessoas em situação de escravidão ou análogas à escravidão. Como foi pesquisar esse tema? Jeyciane: Pesquisar sobre o tema trabalho escravo contemporâneo é sempre desafiador e impactante. Existem diversas pesquisas que aprofundam olhares em questões complexas como ouvir histórias de sobreviventes para entender as nuances culturais, econômicas e políticas que perpetuam essa realidade. Quando decidi estudar o assunto em 2016, eu queria fazer diferente e fazer de uma forma que envolvesse o entendimento de como a rede de combate se organiza para pautar o assunto na mídia; e ao mesmo tempo, aumentar a conscientização sobre esse problema. Durante o Mestrado Profissional, pensei a Comunicação como estratégia para a garantia dos direitos humanos. Neste sentido, a existência de um lugar na internet com informações reunidas sobre o trabalho escravo contemporâneo pode proporcionar melhores condições para produzir pautas, organizar campanhas além de direcionar esses conteúdos à imprensa e até mesmo para o acesso às políticas públicas. É fato que muitas dessas organizações atuam em todo território maranhense, mas não possuíam um local que contribuísse para a comunicação dessa memória. Compós: Eu gostaria que você falasse um pouco sobre o que é o trabalho escravo contemporâneo, para quem não está familiarizado com o tema e ainda não teve a oportunidade de ler a sua dissertação. Jeyciane: Segundo o artigo 149 do Código Penal Brasileiro, o trabalho escravo contemporâneo é caracterizado pelos seguintes elementos: trabalho forçado; jornada exaustiva; condições degradantes e servidão por dívida. O trabalho forçado se configura como um tipo de exploração em que ameaças, violência física ou psicológica são utilizadas para manter a produtividade. Na jornada exaustiva, ocorre a obrigação de realizar tarefas além do que o corpo permite, sendo submetido à sobrecarga de trabalho que desconsidera o tempo de descanso necessário para recompor a força. As condições degradantes são caracterizadas principalmente pela violação do direito fundamental, notadamente, os dispostos nas normas de proteção do trabalho e de segurança, higiene e saúde. Muitas vezes quem está submetido a essa situação tem a dignidade violada, sendo obrigado a viver em alojamentos precários, com alimentação insalubre ou mesmo a ausência dela, falta de saneamento básico e até água potável. A servidão por dívida prende o trabalhador ao local de trabalho. Nela, existem dívidas ilegais referentes à cobrança de taxas, como o transporte até o local do serviço, gastos com alimentação, inclusive compra de ferramentas de trabalho, tudo com o preço acima do que foi estabelecido no mercado. No dia do pagamento, o dinheiro que deveria ser entregue permanece no bolso do patrão. Esse contexto de exploração é comum, sobretudo, nas regiões rurais do país. Por exemplo, locais onde trabalhadores e trabalhadoras convivem com diversos tipos de vulnerabilidade social e econômica que, associadas à pobreza, desemprego e violência facilitam a ocorrência do trabalho escravo. Compós: Voltando a falar da sua pesquisa, ela é construída a partir da análise documental, do trabalho de campo e de entrevistas semiestruturadas. É um conjunto robusto de técnicas para uma pesquisa de mestrado. Quais foram os seus desafios durante esse processo? Jeyciane: É uma pergunta interessante porque para respondê-la é necessário fazer uma retrospectiva que mostra o quanto as dificuldades foram significativas para pensar as funcionalidades da plataforma da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo do Maranhão (COETRAE/MA). Inicialmente, a ideia que apresentei ao Programa de Pós-graduação em Comunicação/ Mestrado Profissional da UFMA era desenvolver um repositório de informações para reunir e facilitar a busca pela temática “escravidão contemporânea no Maranhão”. Com o andamento da pesquisa, ocorreram diversas adequações, sobretudo, após a falta de informações para organizar os dados. O repositório é uma estratégia voltada para a visibilidade e alcance da temática, mas observei ao longo da pesquisa relatos sobre as dificuldades de comunicação dentro da própria rede. Então, como pensar o alcance das informações sendo que o problema começa na base? Ou seja, há necessidade de articular a comunicação das organizações que participam da COETRAE/MA, para assim tornar mais eficiente pautar o assunto na sociedade. O grande desafio foi como pensar a comunicação quando o principal problema identificado é comunicar. A partir disso, chegou-se ao modelo de plataforma que vai além da visibilidade do assunto. É uma estratégia que valoriza a memória da Comissão, dando destaque à sua trajetória, além de reunir
Compós entrevista: Alexandre Souza da Silva, menção honrosa do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela de 2023
A Compós entrevistou Alexandre Souza da Silva, doutorando e mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pelo Programa de Pós-graduação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na linha de pesquisa Cultura da Imagem e do Som. É graduado na área de Produção em Comunicação e Cultura pela UFBA, 2015, e formado em Publicidade e Propaganda pela União Metropolitana de Educação e Cultura (UNIME), em 2012. Alexandre possui experiência na área de Comunicação, com ênfase em Comunicação e Cultura, tendo atuado como pesquisador no Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia). Atualmente, é pesquisador no Centro de Pesquisa em Estudos Culturais e Transformações na Comunicação (TRACC) e do Grupo de Pesquisa Cultura Audiovisual, Historicidades e Sensibilidades (CHAOS). Com a sua dissertação, intitulada “Wakanda Forever: reivindicações de afrofuturos em torno do Pantera Negra Chadwick Boseman”, Alexandre recebeu a menção honrosa do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela 2023. Alexandre foi orientado pela Prof.ª Dr.ª Juliana Freire Gutmann. Compós: Vamos começar com a pergunta que estamos fazendo para todos os entrevistados vencedores: o que significou para você receber essa menção honrosa pela sua dissertação? É um marco receber o Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela 2023? Alexandre: A menção honrosa foi muito significante. Muito pelo trajeto, a trajetória que essa dissertação teve e ela tem ainda, né? Ela ganhou vida após eu apresentá-la. Ela passou na seleção interna da pós-graduação e aí foi pra seleção externa, isso marcou demais. Porque mostra que o meu caminho de pesquisa é validado, que as pessoas têm um interesse, mostra que toda a minha trajetória, os autores que eu trabalho na minha dissertação, têm um propósito. O que eu escrevi, as perspectivas, as ideias que eu trouxe, os conceitos, eles têm um entendimento, principalmente na área da Comunicação, e isso foi muito importante para mim enquanto pesquisador. Eu estou no primeiro semestre do doutorado e quando a gente defende a nossa dissertação fica aquele vácuo entre o mestrado e o doutorado. A gente não sabe se continua na vida acadêmica, se vai para o mercado de trabalho, vai buscar um emprego mais formal ou não, e ter visto que a minha dissertação teve essa premiação, essa menção honrosa, foi uma validação: “Não, dá para continuar na vida acadêmica, os meus anseios, enquanto pesquisador, têm reverberação”. E essa minha dissertação, por ter sido escrita durante a pandemia, tornou-se a minha válvula de escape, né? A minha fuga, o meu modo de dizer para o mundo que eu estou vivo, que eu existia, mesmo a pandemia ocorrendo… Eu estava buscando ali uma forma de me reafirmar perante o mundo, então essa escrita, enquanto um pesquisador negro na área acadêmica, foi muito legal, foi um “Estou tendo um reconhecimento do campo da área acadêmica, não somente da Compós, da área da Comunicação”. Foi muito gratificante. Compós: Você comentou um pouco sobre o seu caminho acadêmico, que foi compartilhado por muitos pesquisadores desde 2020… Conta pra gente como foi esse processo de construir uma dissertação premiada, com um tema tão potente dentro do mundo do entretenimento, em um período tão delicado como foi a pandemia? Alexandre: Foi um processo de descoberta, né? No primeiro ano vem tudo certinho e tal e aí eu me lembro claramente, no segundo ano, que é o último ano derradeiro do mestrado… Só tive uma aula e na semana seguinte eclodiu a pandemia e aí eu fiquei “Meu Deus, eu vou ter que escrever uma dissertação e de forma remota”. Todas as minhas orientações, as minhas reuniões, foram por esse processo aqui, por meio de telas. Isso foi me marcando demais: “Tô escrevendo uma dissertação sem estar em contato físico, além do mesmo espaço com a minha orientadora, Juliana Gutmann. Vai ser uma dissertação atípica…”. E além do mais, eu trabalho o afrofuturismo na questão de futuros negros, na questão de lidar com outras temporalidades… E havendo um fenômeno atravessando essa questão do presente e o futuro se tornando nublado pela pandemia. “E o agora? E o amanhã como é que vai ser?”. A gente tem pandemia, não tem vacina, a gente não sabe qual vai ser a constituição da sociedade no dia de amanhã. Enquanto eu estava ali escrevendo sobre futuros negros, a noção de tempo e espaço estava se diluindo e isso foi marcante demais: “Poxa, isso aqui que eu tô escrevendo tem uma potência e tem, acima de tudo, uma ligação com a realidade”. E a questão de quebrar estigmas também, com relação à área acadêmica, se tem muito estigma de que o pesquisador pesquisa coisas que não dialogam com o restante das pessoas. E não dialogam com ele enquanto pessoa. Ele tem que se manter afastado do objeto de pesquisa e quanto mais afastado é melhor pra ele ver o fenômeno. Na realidade, a escrita da minha dissertação foi totalmente o oposto. Foi eu me escrevendo, eu me descobrindo enquanto um pesquisador negro, e vendo essa possibilidade de articular autores negros com relação ao afrofuturismo, ao Pantera Negra, à cultura pop… É literalmente dissertar sobre isso da melhor forma possível. E eu sempre busquei escrever da maneira que uma pessoa que não é da área da Comunicação, que não é acadêmica, pudesse ler isso e entender. E ela ter um pensamento de se sentir atraída. Por isso, um dos meus maiores interesses em trabalhar a questão de produtos da cultura pop é justamente isso, de pegar produções que atravessam o nosso dia a dia. Filmes, séries, novelas, videoclipes, entre outros materiais audiovisuais que fazem parte do cotidiano das pessoas. E através disso, puxar toda uma teia de articulações, de conceitos e problematizar e perceber que esse produto não existe separado do tempo e do espaço, ele tem um propósito, tem um porquê, tem um conjunto de narrativas, de perspectivas. E o Pantera Negra se potencializa muito nisso, ao trabalhar a representatividade negra na cultura pop, mas não é uma representatividade vazia, que é o caso de ter somente um personagem negro numa narrativa e pronto. É um filme que traz a hegemonia
Compós entrevista: Gabriela Isaias de Sousa, autora da dissertação vencedora do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela de 2023
Em nova entrevista, a Compós conversou com a autora da dissertação vencedora do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela 2023. Gabriela Isaias de Sousa é mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCOM/ECO-UFRJ), onde hoje é doutoranda, e também é bacharela em Comunicação Social – Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ. Durante a graduação, atuou como bolsista de iniciação científica no Programa de Educação Tutorial (PET-ECO) e participante temporária do Laboratório de Comunicação Social Aplicada (LACOSA). Atualmente, desenvolve narrativas visuais independentes como repórter fotográfica e tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo Científico e Relações Étnico-Raciais, aprofundando-se principalmente nas ressignificações da herança africana em solo brasileiro e as potências que emergem dos encontros e transformações na cidade em que vive, o Rio de Janeiro. A sua dissertação, intitulada “O comprimento do desejo: cabelos longos e as performances negras do feminino”, investiga como as relações de poder acionadas pelos estereótipos de raça e gênero atuam na configuração da representação estética de mulheres negras a partir da imagem performática que as mesmas criam sobre si. A dissertação foi apoiada em entrevistas com 48 pessoas, dentre as quais 36 trancistas cariocas escuras, para compreender as dinâmicas de beleza e as performances de feminilidade negra criada e alimentada pela indústria mainstream. Gabriela foi orientada pelo Prof. Dr. Muniz Sodré. Compós: Gostaria de iniciar a nossa conversa perguntando a você o que significou para a sua carreira acadêmica e profissional receber o Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela 2023? Gabriela: Hoje, passado quase um ano em que soube que minha dissertação havia vencido o Prêmio Compós, confesso que o encapsulei na memória, como um pequeno talismã ao qual recorro quando duvido da minha capacidade. Lembro da grandiosidade desse título e do prazer que foi ter esse reconhecimento após anos de invisibilidade de uma pesquisa sobre mulheres que também diziam não ser vistas ou ouvidas. Quando recorro à minha lembrança-casulo, tento reviver desde a notícia da vitória até meu discurso de agradecimento, mas me concentro, principalmente, no que ouvi dos colegas negros da minha universidade e das pessoas que entrevistei para o trabalho. É o meu nome que está em evidência, mas sei e, sempre que posso, faço questão de dizer que nada teria existido se não fosse a confiança dessas mulheres na minha sensibilidade e competência para entrelaçar suas histórias e contá-las da forma com que a minha intuição e estudo consideraram pertinentes. Antes, durante e após “O comprimento do desejo”, realizei exposições fotográficas, ministrei cursos e oficinas, fui convidada para participar de programas de tv, podcasts e documentários, prestei consultoria no projeto de elaboração da lei municipal (e depois estadual) do Dia da Pessoa Trancista e ganhei uma moção honrosa da Câmara Municipal do Rio de Janeiro em reconhecimento à importância do meu trabalho para a população negra da minha cidade. O título de Melhor Dissertação do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela 2023 veio como um enlace desse ciclo, quando eu estava no primeiro semestre do doutorado que agora curso, como um encorajamento de que é na construção de pesquisas coletivas focadas no povo que compõem o país que nós somos, com olhos atentos ao que ocorre fora dos muros da universidade e corpo aberto para saberes que não necessariamente possuem diploma que eu devo seguir. É nesse intercâmbio de conhecimento que eu acredito e, principalmente: não devo deixar de conjugar a primeira pessoa que eu sou, pelo contrário. A vulnerabilidade do pesquisador não é imiscível à teoria, emoção e razão não são opostos uma vez que compõem a humanidade. Os trabalhos vencedores do Prêmio Compós 2023 mostram que, finalmente e cada vez mais, a Academia tem enxergado que pesquisas pautadas na sensibilidade são grandes trunfos para o futuro. Compós: A sua pesquisa fala de raça a partir da estética dos cabelos negros e das performances da feminilidade das mulheres negras. Você poderia contar aos nossos leitores como surgiu o seu interesse por esse tema? Gabriela: Tudo começou ainda na graduação, quando alguns acontecimentos da minha vida me levaram a passar pela transição capilar (que é o abandono do uso da química em prol do crescimento do cabelo com sua textura natural) sem que eu me desse conta de que estava, de fato, realizando esse processo até cortar de vez a parte quimicamente tratada do meu cabelo. Na época, idos de 2016 e 2017, percebi que muitas mulheres negras tinham começado a usar cabelos crespos, cacheados e, ainda, trançados (e, nesse último caso, utilizavam o penteado principalmente durante esse processo de transição que falei). Uma vez que prestei atenção na primeira trança, pareceu que todas as outras se exibiram pra mim e eu estava imersa em um mar entrelaçado. Acho que isso acontece quando a gente decide enxergar em vez de olhar: o que é visto não só ganha vida própria como também invade a de quem vê. Meus olhos, involuntariamente, já procuravam tranças e penteados afro em qualquer lugar que eu ia e… Sempre achavam. Hiperfoquei naquilo, comecei a pesquisar as origens dos penteados, os significados, conversar com amigas que faziam e percebi que aquela evidência guardava mistérios para se debruçar: era um penteado milenar cuja técnica, a grosso modo, não mudou. São as mesmas três mechas que dançam entre si formando uma só rama. E o óbvio sempre me interessou. Muitos bons segredos são guardados na superfície, à vista de qualquer um. Foi então que decidi entender o significado das tranças de origem africana nesse canto do mundo em que nós estamos, sua importância para o pequeno grupo de moças (em sua maioria trancistas) que entrevistei e compreendi que, naquelas reuniões temporárias ao redor da cabeça, havia o estreitamento de vínculos focados na criação do autoamor, do cuidado mútuo e da construção e criação de concepções de beleza e feminilidade que historicamente foram negados à mulheres negras. Compós: Você faz um tensionamento muito importante na sua dissertação: mostra o que a mídia mainstream diz sobre “o